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Marcus Matraga: A Psicologia que se faz na Luta Antimanicomial


Data de Publicação: 4 de fevereiro de 2026


O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) reverencia a memória de Marcus Vinicius de Oliveira, ou como era chamado Marcus Matraga. Mais do que um psicólogo, Matraga foi um profissional engajado, cuja trajetória provou que não existe separação entre ciência, profissão e política.

 

Mineiro de Sete Lagoas, Marcus construiu uma carreira onde a academia e a militância caminhavam juntas. Foi professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde desafiou o conservadorismo ao ensinar que a Psicologia deve servir à emancipação social, e doutor pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). 

 

Sua capacidade de articulação política o levou à presidência do Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 1995 , gestão marcada pela democratização da entidade e pela defesa intransigente dos Direitos Humanos. Ele também esteve em gestões dos conselhos regionais de Minas Gerais e Bahia.

 

Sua atuação foi alicerce da Luta Antimanicomial no Brasil. Presente na organização do histórico Congresso de Bauru em 1987 , ele ajudou a cunhar o lema "Por uma sociedade sem manicômios". Através do Núcleo de Estudos pela Superação dos Manicômios (NESM), dedicou décadas a combater a lógica da exclusão, lutando por um tratamento em liberdade e digno.

 

Também foi dele a iniciativa de construção da Comissão Nacional de Direitos Humanos do CFP, em 1997 – que teve como primeira presidente a psicóloga Cecília Coimbra, fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e professora da Universidade Federal Fluminense.

 

A história de Matraga carrega a marca da tragédia que assola os defensores de direitos no Brasil. Em fevereiro de 2016, no município de Salinas da Margarida (BA), Marcus foi brutalmente assassinado. Sua morte não ocorreu no conforto de um consultório, mas na linha de frente, em um contexto de mediação de conflitos de terras e defesa de comunidades vulneráveis.

 

Matraga nos foi tirado pela violência, mas seu legado permanece vivo. Que sua memória nos inspire a jamais recuar na defesa de uma Psicologia comprometida com a vida e a liberdade.

 

Marcus Matraga presente!

 

#DescriçãoDaImagem: Arte com foto em preto e branco de Marcus segundando microfone em fundo azul com cinza e loco do CRP-RJ centralizado abaixo. Texto: Marcus Vinicius Matraga, pioneirismo na luta pela reforma antimanicomial e criação dos centros de atenção psicossocial. Falecimento 4 de fevereiro de 2016.



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